Editorial de Maio  2026

Dois conceitos fortes para o Desenvolvimento:

Formas preventivas perante desastres e relização de programas sustentáveis no tempo

Vale a pena intervir na emergência com ideias claras!
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 I.     Saudações  a Todos os Leitores deste Editorial!

Estavamos revendo as Pastas do ano 2000, as fotos e os relatorios das actividaes realizadas depois das Inundações e constatamos uma forte e tempestiva capacidade de resposta aos Desastres naturais em alimentos, água e saneamento e abrigo. Os Governos de Maputo, Gaza e Beira anunciaram os factos e pediram apoio. A resposta foi imediata da parte dos Doadores, UE, FAO, outros Organismos internacionais e Embaixadas residentes em Maputo e ONgs Internacionais. Colectamos assim valores elevados e soubemos dar uma resposta rápida às necessidades apresentadas pelas famílias afectadas.

 

II.     Como isso pode acontecer?

Vários factores concorrem, para que a resposta fosse rápida e eficiente:

·        O engajamento das ONGs nacionais era eficiente e comprometido.

·        O Diálogo comunitário e o engajamento de forças locais muito efectivo.

·     Não existia a máquina do INGD, nacional e provincial, que apesar de ter uma validade enorme em resposta àos desastres, está metida em muita rede burocrática e os processos atrasam. Falam sempre de prevenção, na prática respondem sempre às necessidade imediatas no possive, mas de “prevenção” somente fica na propaganda!

· Não existiam os diferentes CLUSTER, orientados pela organizações internacionais, que primeiramente prediligem a estrutura e as regras de condução, consideradas eficientes por parte dos Doadores, ma que se tornam burocráticas e atrasam os processos.

 

·         A Resposta dos Doadores era imediata e clara. Nada de intermediários internacionais, que necessitam de outros intermediários, e estes de outros intermediários locais, e roubam assim a elite moçambicana de técnicos, que de sujar as mãos já não conhecem o termo e a prática, e se tornam somente intermediários da burocracia internacional, além de se considerarem especialistas em matéria de emergência.

 

III.     Que diferença hoje!

 

i.     Uma montanha de actores, a começar do INGD e as estruturas do Governo, juntamente com Doadores que relatam os desastres, os grandes desafios, os enormes índices de faltas para satisfazer as necessidades das pessoas que sofrem de desastres e todos organizados com o auxílio do AI, em grupos operacionais, duma forma perfeita. Nada escapa a eles!!! e infelizmente esta estrutura não é produtiva e não soluciona os problemas identificados.

 

ii.     Uma montanha de promessas de fundos, de atenção e plano de soluções dos problemas, fundos esses que necessitam de obedecer à burocracia financeira dos doadores.  Imaginem somente o laço de tempo que levou e está a levar a chegada dos fundos: As inundações foram em meados de Janeiro, toda a gente internada em centros de acomodação. Passou todo o mês de Janeiro, veio Fevereiro, Março Abril e agora Maio, 5 meses para dizer que s promessas de apoio está chegando. Há gente que não morreu de fome e estava sem abrigo já encontrou outras soluções. Não é estupida e passiva. Sabe enfrentar situações de extrema pobreza e risco.

 

iii.     Uma Montanha de Atrasos: Estamos agora respondendo aos desastres praticados pelos Banditos armados que destruíram casas e mataram pessoas em Cabo Delgado e Nampula no ano passado. Depois de 7 meses vamos para falar com elas que iremos reabilitar as casas queimads e destruidas e dar apoio na Agricultura, na Água e Saneamento, Como podemos nos apresentar a eles com tanto atraso?

É verdade que ha um ditado que diz: Melhor tarde do que nunca! Mas, quando o atraso é por nossa culpa, sentimos vergonha nisso!

OK, Vamosesquecer o passado, Vamos colocarde lado todos os aspectos negativos e todos estes atrasos e Vamos avançarcom desculpas e força de vontade de reparar os erros cometidos.

A gente que sofre, é sempre boa e sempre aceita o apoio nem que seja atrasado! Do nosso lado, como operadores de apoio, devemos corrigir estas atitudes negativas, e  sobretudo alertar todos os que se sentem especialistas da emergência em mudar de atitude!

 

IV.     De retorno ao Conceito de “PREVENÇÃO

Devemos prestar atenção a três Aspectos fundamentais que o Governo sempre insiste em atuar:

 

i.     O primeiro ponto principal e com o qual devemos colaborar é a mudança de localização das nossas moradias: Depois dum desaste, reparamos que, terminado o periodo de crise, toda a gente volta para os mesmos lugares impróprios e de falta de segurança. Relembro o exemplo da CAIA, contra todas as orientações populares, construimos um novo Bairro numa zona alta e nunca mais as familias se viram inundadas, apesar de produzir ao longo do rio Zambeze. Agora podem perder as culturas mas o abrigo é seguro e em pouco tempo se pode voltar com apoio minimo em alimentos a retomar uma vida normal.

 

ii.     Outro ponto principal e que devemos fazer advocacia com o Governo para apoiar a sua realização é o convite em zonas de guerra, de abandonar as aldeias distantes, sem segurança, sem escola e saúde, convidando todas as familias a se integrarem com as comunidades maiores e que residem em lugares mais seguros e sobretudo duma forma definitiva, sem serem convidados a retornar às suas terras de origem. Toda a Humanidade nasceu e viveu no Mato,  mas com o tempo foram organizadas aldeias e vilas e cidades. Viver afastados, convida os bandidos rebeldes a aproveitar deste isolamento e fazer barbárias   (permanece um Sonho!)

iii.Outro ainda: Realização de programas sustentáveis no tempo

A KULIMA, desde a sua primeira interveção de emergência, procurou e continua procurar a participação activa dos que necessitam de apoio, acabando com a atitude de “mãos estendidas” e juntos procurando soluções de solução dos Desastres e criando  ao mesmo tempo planos e acções de desenvolvimento:

·  A Reabilitação das casas e das infraestruturas, todos juntos! Com o apoio externo!

·     A Recuperação das Estradas e pontes.. todos juntos! Com o apoio externo!

·  A Recuperação das Fontes de agua e Latrinas, todos juntos! Com o apoio externo!

Ficando para Doadores e Governo o apoio alimentar em caso de percas totais de reservas!

 

Em suma, todos os apoios previstos pela emergência devem ter uma participação efectiva dos beneficiários e ao mesmo tempo conjugar planos de desenvolvimento local inclusivo!

 

  • Um abraço forte, 
  • Domenico Liuzzi, 
  • Director Nacional da KULIMA
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